Pesquisadores do Reino Unido e do Brasil participam de workshop do Researcher Links

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Participantes são apresentados ao Plano Diretor de Goiânia. Foto: Ascom UFG

Entre os dias 10 e 13 de junho, 40 pesquisadores de todo o Brasil e também do Reino Unido participaram, na Universidade Federal de Goiás (UFG), do workshop “Re-naturalização de cidades: teorias, estratégias e metodologias”. O workshop, proposto e coordenado pelos pesquisadores doutores Fabiano Lemes de Oliveira e Pedro Dultra Britto, da University of Portsmouth e da UFG, respectivamente, faz parte das atividades da chamada pública Researcher Links 2016-17, fomentada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) e pelo British Council, no âmbito do Fundo Newton.

Participaram do evento, 40 pesquisadores, sendo 20 brasileiros e outros 20 britânicos. Dos brasileiros, três são de Goiás e outros de diversos estados como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Pernambuco, São Paulo e Minas Gerais. O objetivo principal do workshop foi explorar novas teorias, estratégias e métodos para redesenhar as cidades colocando em contato pesquisadores do Brasil e do Reino Unido que não se conheciam.

“O workshop teve um formato um pouco incomum e bastante interessante. Fizemos uma estação de trabalho, com sessões curtas de apresentação de trabalhos individuais e divisões de grupos de trabalho”, ressalta Pedro Dultra. Para ele, o subsídio das equipes da prefeitura de Goiânia, do governo do Estado de Goiás e do curso de Geografia da UFG, que desenvolvem os planos diretores Metropolitano e de Goiânia e participaram ativamente do evento, proporcionou uma experiência interessante. “Colocar gente que desenvolve pesquisas com um aporte tecnológico muito forte, às vezes nem disponível no Brasil, junto com os técnicos que lidam com a realidade do planejamento de uma cidade como Goiânia foi extremamente enriquecedor”, destaca.

De acordo com a doutoranda em Infraestrutura Verde pela Universidade de Brasília e professora da UFG – Câmpus Goiás, Camila Gomes Santana, esse intercâmbio de informações foi muito proveitoso e pode dar aos participantes uma nova perspectiva a respeito da re-naturalização das cidades. “Por mais que sejamos brasileiros, cada cidade tem uma realidade diferente e a oportunidade de construir algo para uma cidade com características com as quais não estamos acostumados foi muito interessante. E essa metodologia de grupos de trabalho foi muito rica já que passamos a entender como os outros pesquisadores lidam com cada situação e também pudemos construir algo com eles a partir de nossas próprias referências”, acrescenta.

A professora do Programa de Pós-Graduação e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Fabiana Izaga, explica que o workshop foi bastante exitoso e que ela e alguns parceiros brasileiros e britânicos já estão tentando alinhavar algum projeto, ainda que sem fundos imediatos, para que possam ter ações mais colaborativas em campos afins. Para ela, o modelo do workshop promoveu essa oportunidade, que é única.

“Muitas vezes achamos que a internet vai suprir todas as nossas demandas, já que aproxima distâncias, mas ela não substitui o contato pessoal, sobretudo o contato intenso de três, quatro dias. Não é um contato superficial como o de congressos e colóquios. Para que sejamos parceiros de pesquisas não basta termos afinidades intelectuais, precisamos também ter afinidade pessoais”, ressalta Fabiana.

Terezópolis
No terceiro dia do evento, os pesquisadores tiveram a oportunidade de conhecer a cidade de Terezópolis, a 32 quilômetros de Goiânia. Em Terezópolis, que é o município brasileiro com maior Área de Proteção Ambiental (APA) proporcional a seu território, está localizado o principal manancial de abastecimento de água da capital de Goiás. “O objetivo da visita foi estratégico: levar os pesquisadores que estavam discutindo a questão da conservação a um lugar que possui o manancial de Goiânia e ainda assim está reagindo a essa conservação, já que a população local acredita que o fato de ter uma grande APA restringe o desenvolvimento econômico do município”, destaca Pedro Dultra.

Na cidade, os pesquisadores puderam conhecer o manancial e um Centro de Recuperação e Conservação Ambiental, a Fazenda Santa Branca, além de terem tido a oportunidade de entrar em contato com os técnicos que estão elaborando o plano diretor do município.

Gerente de projetos do Fundo Newton, Camila Almeida, explana aos pesquisadores sobre oportunidades abertas. Foto: Ascom Fapeg

Researcher Links

O programa Researcher Links tem como objetivo apoiar a realização de workshops científicos que sirvam como plataformas para a colaboração entre cientistas brasileiros e britânicos. Estes workshops são coordenados por pesquisadores seniores de reconhecida competência nos seus campos de atividades. Os workshops são em inglês e com duração entre três a cinco dias. Essa foi a terceira vez que a UFG realizou workshops no âmbito do Researcher Links.

A gerente de projetos do Fundo Newton, do British Council, Camila Almeida, participou do último dia do evento. De acordo com ela, os pesquisadores estavam muito engajados, com bastante sinergia, o que mostra que o objetivo do programa de promover a colaboração entre os pesquisadores foi alcançado.

Fundações
Segundo a professora Fabiana Izaga, a participação das Fundações de Amparo à Pesquisa neste tipo de ação é fundamental. “As Fundações têm o poder de impulsionarem a pesquisa em seus Estados. Elas permitem um olhar com um zoom maior em cima da produção local de pesquisa, democratizando a distribuição dos recursos financeiros pelo país”, explica.

De acordo com Camila Almeida, a única forma que o British Council possui de trabalhar, no Brasil, a pesquisa em âmbitos local e regional é por meio da parceria com as Fundações. Já para Pedro Dultra, a Fapeg foi imprescindível para que o evento fosse realizado e também para a pesquisa em Goiás como um todo. “Esse edital, que só foi possível pela parceria da Fapeg com o British Council, caiu como uma luva na pretensão de estimular outros pesquisadores a aderirem ao conceito de re-naturalização e a se forçarem a pensar não mais em sustentabilidade, mas em re-naturalização”, explica.

Assessoria de Comunicação Social da Fapeg

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