Pesquisadores brasileiros apoiam projeto internacional que vai sequenciar DNA da vida na terra

Laboratório de bioinformática e genômica do LNCC

Laboratório de Bioinformática e Genômica do LNCC foi uma das unidades brasileiras convidadas a participar da iniciativa internacional. Foto: Ascom/MCTIC

Quanto tempo leva para sequenciar o DNA de 9 mil famílias de eucariotas? O que significa reunir informações genéticas de aproximadamente 1,5 milhão de espécies vivas do planeta? Cientistas de diversas instituições do mundo inteiro estão se reunindo com o plano de realizar esse mapeamento genético em até 10 anos, ao custo de 4 bilhões de dólares, por meio do projeto internacional Earth Biogenome Project (EBP).

E o Brasil pode fazer parte desse projeto. No final do ano passado, os idealizadores do EBP reuniram-se com pesquisadores do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) – unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) – e de diversas outras instituições brasileiras para apresentar a iniciativa. Cerca de 300 pesquisadores e colecionadores de todo o território brasileiro participaram do encontro.

Segundo a coordenadora do Laboratório de Bioinformática e Genômica do LNCC, Ana Tereza Ribeiro, a participação na iniciativa pode colaborar para a preservação a biodiversidade brasileira já catalogada.

“O Brasil se colocou como potencial candidato a entrar no projeto. A comunidade internacional tem muito interesse na gente, temos uma das maiores coleções, a biodiversidade brasileira é enorme. Esse projeto é uma oportunidade para o Brasil conseguir organizar e armazenar adequadamente nossas coleções”, afirmou. “Conseguimos trazer curadores do Brasil inteiro, de várias instituições. Isso por si só já foi um feito incrível, pois muitos pesquisadores não se conheciam. E, às vezes, as informações existentes no Brasil não são compartilhadas ou armazenadas da forma adequada”, salientou a pesquisadora do LNCC.

O projeto

As famílias eucariotas incluem desde microorganismos invisíveis a olho nu até os mais complexos vertebrados e plantas existentes no planeta. Para os idealizadores do EBP, o projeto vai organizar uma infraestrutura biológica do futuro, contendo informações evolutivas e ecológicas de conservação das espécies catalogadas e sequenciadas. O objetivo central é compreender e conservar a biodiversidade da Terra.

“Você conhecer a biodiversidade do planeta, inclusive identificar novas moléculas, contribui ainda para a elaboração de novos fármacos. Além disso, a questão da conservação é imprescindível para o futuro. Muitas espécies [animais ou plantas] podem ser extintas de uma hora para outra, e por meio de um projeto como esse, estaremos preservando o material genético para saber como elas são constituídas, ou seja, vamos ter um panorama para preservar e armazenar informações genéticas de diversas espécies”, explicou Ana Tereza Ribeiro.

A previsão é que o projeto seja lançado ainda este ano. No momento, os organizadores estão se reunindo com pesquisadores de diversos países e em busca de recursos para pagar os custos das investigações.

Entre os institutos idealizadores e organizadores da pesquisa, encontram-se o Instituto Smithsonian e a Universidade Harvard, dos Estados Unidos; o Instituto Max Planck, da Alemanha; e instituições da China, Dinamarca e Inglaterra.

Fonte: Ascom MCTIC

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