Pesquisa identifica perfil dos jovens que nem estudam e nem trabalham

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Ser mulher, casada, com filhos e idade acima de 19 anos são os principais fatores que levam jovens a ocupar o lugar “nem, nem”, aquele destinado a quem “nem estuda, nem trabalha”. O perfil foi identificado por uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), que relacionou os dados a um reflexo da sociedade patriarcal brasileira.

“A mulher é a que mais ocupa esse espaço. A hipótese é a de que ela está direcionada aos afazeres domésticos e aos cuidados com a família”, afirma a pesquisadora Kadny Macêdo. Segundo o levantamento, com base no Censo Demográfico de 2010 das regiões metropolitanas do Brasil para jovens de 15 a 24 anos, 17% das mulheres acumulam o contingente dos “nem, nem”, enquanto 9% dos homens também se encontram nessa situação.

Em Goiás, mais de 15% das mulheres e 9% dos homens não estão no mercado de trabalho, nem em escolas formais e não estão procurando emprego. “Em relação a outras regiões metropolitanas, o estado apresenta uma das menores taxas de jovens ‘nem, nem’”, diz.

Assim como identificado, entre os fatores mais relevantes que levam os jovens homens a estarem fora do mercado de trabalho e da escola formal estão a presença da renda de aposentadoria em domicílio e a idade avançada, entre 18 e 24 anos. “A idade corresponde àquela em que o jovem estaria se direcionando à entrada na universidade. Percebemos que à medida que a idade avança, tanto para homens quanto para mulheres, aumenta-se a probabilidade do jovem entrar na estatística do ‘nem, nem’”, chama a atenção o orientador da pesquisa e professor da UFG, Sandro Mansueto.

Papel da mãe

Uma curiosidade da pesquisa foi a identificação da influência materna na entrada dos jovens ao mercado de trabalho e/ou em instituições de ensino formais. De acordo com os dados, a mãe que completou o ensino superior e a mãe que possui religião cristã são as duas variáveis que geram a redução da probabilidade do jovem ocupar o espaço do “nem, nem”. “A mãe com ensino superior e a mãe que tem religião foram a duas variáveis que tendem a reduzir a entrada do jovem nessa estatística. E a mulher jovem tende a sofrer uma maior influência dessa mãe”, afirma Kadny Macêdo.

A influência do pai não foi considerada uma variável relevante pela pesquisa. “Novamente o dado reflete a sociedade machista, que transfere para a mãe a responsabilidade pela criação dos filhos”, analisa a pesquisadora, que espera que os resultados possam contribuir para a formulação de políticas públicas que atendam especialmente as mulheres jovens.

Fonte: UFG (texto de Caroline Pires)

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