Especial PPSUS: Pesquisa avalia atuação do Comitê Estadual de Mobilização contra a Dengue

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comitê de mobilização contra a dengue
O Comitê Estadual de Mobilização contra a Dengue foi criado no Estado de Goiás em 2011 com o objetivo de fortalecer as ações de promoção, prevenção e combate à dengue após um ano epidêmico (2010). Ao adotar a intersetorialidade nas políticas públicas para o enfrentamento da situação, a Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO) reuniu no comitê representantes de instituições públicas, privadas e sociedade civil.

Um projeto de pesquisa para compreender o papel dos representantes do comitê nas ações de prevenção e controle da dengue e avaliar como o comitê atua nas discussões, planejamento e execução de ações para prevenir a doença foi apresentado por uma equipe da Universidade Federal de Goiás (UFG), sob a coordenação da professora Ellen Synthia Fernandes de Oliveira e foi selecionado pela Chamada Pública nº 12/2013 no âmbito do Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS): Gestão Compartilhada. A chamada é uma parceria da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) com o Ministério da Saúde, Secretaria Estadual da Saúde e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

“Iniciativas como a criação deste comitê são sempre bem-vindas, uma vez que o Estado de Goiás é uma região endêmica, e um dos caminhos, do ponto de vista da gestão dos serviços públicos de saúde, é a mobilização da população. As reuniões do Comitê são ambientes favoráveis ao diálogo e ao planejamento de ações preventivas contra dengue, e compreender o papel dos representantes do Comitê nas ações de prevenção e controle da doença é de extrema relevância para a reflexão crítica sobre como estão sendo conduzidas as reuniões e os processos de trabalho em saúde”, comenta a coordenadora dos estudos.

A pesquisa e os resultados
Um estudo descritivo analítico transversal foi realizado de agosto de 2012 a agosto de 2014 com representantes do Comitê. Questionários foram distribuídos para os 84 (100%) representantes do Comitê, que tem sede em Goiânia, dos quais 44 (52,38%) devolveram o questionário respondido e foram incluídos na pesquisa.

Eram objetivos da pesquisa, descrever o perfil sociodemográfico dos participantes do Comitê Estadual de Mobilização Contra Dengue de Goiás; relacionar as ações de vigilância em saúde realizadas pelos representantes do Comitê no período de 2011 a 2013; e identificar a percepção dos representantes do Comitê Estadual de Mobilização Contra Dengue de Goiás relacionada à educação em saúde para a prevenção e o controle da dengue.

Em relação ao perfil dos participantes, 18 (41%) pertenciam à faixa etária compreendida entre 46 e 55 anos; 33 (75%) tinham formação superior e a maioria (86,4%) pertenciam a instituições públicas da região metropolitana de Goiânia. Sobre as ações de prevenção e controle da dengue, os resultados apontaram atividades realizadas sob o enfoque da educação em saúde, vigilância e gestão. No que tange à percepção, os participantes concordaram que a educação em saúde é extremamente importante para o combate à dengue. Pelo estudo percebemos, “que as ações educativas desenvolvidas precisam ser reestruturadas e planejadas de forma a promover uma relação dialógica e democrática entre educador e educando e que faz-se necessário estimular a integração entre os representantes do Comitê, fortalecendo a atuação deste,” comenta a professora.

Participação

Grupo da ufg

Mobilização realizada na UFG pelo Grupo Integrado de Ações contra Dengue. Foto: Arquivo.

Para a realização do projeto, os pesquisadores tiveram colaboração e parceria da Secretaria do Estado de Saúde de Goiás –Superintendência de Vigilância em Saúde (Suvisa/SES); da Secretaria Municipal de Saúde (SMS-Goiânia), do Grupo Integrado de ações contra dengue (GIAD/UFG) e de outras Instituições de Ensino Superior (IES), Universidade Estadual de Campinas-Unicamp/SP, Universidade de Fortaleza-Unifor/CE e Universidade de Aveiro/Portugal-UA/PT. Estas IES foram de suma importância com apoio e suporte no acompanhamento e qualificação de integrantes da equipe para uso de metodologias qualitativas em pesquisas, além da organização e elaboração de capítulo de livro científico como produto dessa parceria com foco na Investigação Qualitativa. Salienta-se a participação da UA-Aveiro/Portugal, com repercussão internacional, cujo grupo de pesquisadores são autores do software “WebQDA” para análise de dados qualitativos. Como produto dessa parceria foi realizada a publicação de capítulo de livro científico com foco na Investigação Qualitativa.

Conclusão da pesquisa
A professora afirmou que com os resultados do estudo “espera-se fortalecer a integração entre os representantes de diferentes órgãos, públicos e privados, a fim de que se consiga elaborar agendas permanentes de trabalho para a prevenção e combate à dengue. Ela explica que, apesar da interrupção das reuniões do Comitê, a pesquisa contribui para que sejam traçadas ações integradas e permanentes com a SES-GO e que o estudo contém subsídios para a elaboração de notas técnicas acerca do tema: Educação em saúde para prevenção e controle da dengue”. Além de fornecer subsídio para a elaboração de outros produtos: cartilhas, notas técnicas, manuais, DVDs, destinados a profissionais e público em geral, também contribui para a publicação de artigos científicos, que são relevantes para a divulgação do conhecimento produzido.

Para a professora Ellen de Oliveira, “a pesquisa realizada é importante para reforçar e otimizar as ações tanto da gestão dos serviços de saúde do SUS quanto do Comitê de Mobilização Contra Dengue de Goiás no que tange a formação de grupos de trabalho, a integração academia-serviço, o planejamento, a reformulação de estratégias de controle e o fortalecimento da educação em saúde como medida prioritária para a prevenção dessa doença em todo o Estado”.

Segundo ela, ações de integração entre os representantes do Comitê e a população devem ser desenvolvidas de forma a colaborar no planejamento de estratégias e dinâmicas de grupo as quais contribuam para a conscientização permanente da comunidade quanto ao cuidado com o meio ambiente e a prevenção da Dengue. “Espera-se fortalecer a integração entre os representantes do Comitê a fim de que se consiga elaborar agendas permanentes de trabalho para a prevenção e combate à Dengue”, concluiu a professora Ellen.

Para Ellen de Oliveira, o estudo mostra que iniciativas integradas com a participação de diferentes setores são fundamentais, mas ainda há muito que ser melhorado. Recomenda-se repensar o formato da organização das reuniões a fim de melhorar a adesão e aumentar a participação dos gestores; rever o perfil dos representantes, definir responsabilidades e prazos para executá-las e avaliar o impacto das ações realizadas pelas instituições participantes.

Divulgação
A pesquisa já foi publicada em 2014, em artigo publicado na Revista da Escola de Enfermagem da USP : Percepções de representantes de um comitê contra dengue nas ações de educação em saúde, Goiás, Brasil; em capítulo do livro Planejamento, Gestão e Avaliação nas Práticas de Saúde, 1ª ed., Editora da Universidade Estadual do Ceará: A gestão e o planejamento no plano de vigilância da Dengue (página 43); em 2016, foi publicado um capítulo sobre a pesquisa, no livro Investigação Qualitativa em Saúde: conhecimento e aplicabilidade, 1ª ed., Editora Ludomedia (Portugal): A intersetorialidade na vigilância da Dengue (página 161).

apresentação no Simpósio Brasileiro de Vigilância Sanitária

Apresentação de Myrella Cançado (integrante da equipe da pesquisa) no Simpósio Brasileiro de Vigilância Sanitária. Foto: Arquivo.

A pesquisa foi divulgada em eventos científicos Nacionais e Internacionais como o XLIX Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, Campo Grande-MS; no 2° Congresso Brasileiro de Política, Planejamento e Gestão em Saúde, Belo Horizonte-BH; no 3° Congresso Ibero-Americano em Investigação Qualitativa, Badajoz, Espanha; no IX Congresso Brasileiro de Epidemiologia, Vitória- ES; no XI CONPEEX – Congresso de Pesquisa, Ensino e Extensão da UFG, Goiânia, GO; no 1° Infecto Centro-Oeste, Goiânia, GO; e no 5° Congresso Ibero-Americano em Investigação Qualitativa – Porto, Portugal.

Livro em Portugal
Os professores Ellen Synthia (UFG), Nelson Filice de Barros (Universidade Estadual de Campinas – Unicamp) e Raimunda Magalhães da Silva (Universidade de Fortaleza – Unifor) foram os organizadores do livro Investigação Qualitativa em Saúde, lançado em Portugal pela editora portuguesa Ludomedia. São dez capítulos escritos por pesquisadores do Brasil e de Portugal que apresentam estudos com fundamentações fenomenológicas, interacionistas, etnográficas, entre outras. São estudos da área de saúde coletiva e que mostram uma realidade que requer cuidados específicos para o desenvolvimento humano, social, político e científico. Esta obra tem como foco a metodologia qualitativa, a mesma adotada no estudo realizado pela profa. Ellen de Oliveira, coordenadora do projeto de pesquisa. Myrella Cançado (UFG) e Dayse de Souza, UA-PT, Portugal, assinam um dos capítulos que compõem esse livro.livro em portugal

Ellen Synthia Fernandes de Oliveira é professora associada do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Goiás (UFG) e docente do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva/UFG. Graduada em Ciências Biológicas modalidade médica e mestre em Biologia pela UFG, doutora pela Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília e bolsista Capes/Fapeg de pós-doutorado em Saúde Coletiva pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas, São Paulo.

Pesquisadores integrantes da equipe de estudos
Prof. João Bosco Siqueira Jr. (IPTSP/UFG), profa. Dra. Maria Alves Barbosa (FEM/UFG); prof. Ricardo Antônio Gonçalves Teixeira (FE/UFG); Ms. Myrella Silveira Cançado (SMS/UFG) e Ms. Flúvia Amorim (SMS/GO).

Conheça outros projetos contemplados no PPSUS aqui.

Assessoria de Comunicação Social da Fapeg (texto: Helenice Ferreira).

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