Especial PPSUS: Conheça alguns dos projetos de pesquisa desenvolvidos para melhoria no Sistema Único de Saúde

Produção e reportagem: Helenice Ferreira, com colaboração de Letícia Santana.
Edição: Renan Rigo

Nos últimos quatro anos, 29 pesquisadores de instituições sediadas no Estado de Goiás têm se debruçado sobre estudos na área da saúde pública com o objetivo de dedicar seus trabalhos ao aprimoramento de questões ligadas à atenção ao Sistema Único de Saúde (SUS). São conhecimentos científicos produzidos com foco nos principais problemas de saúde da população, tendo a questão sociossanitária como norte para definir os temas prioritários das quatro grandes áreas pesquisadas: Atenção à Saúde, Vigilância em Saúde, Tecnologias em Saúde e Gestão de Sistemas e Serviços de Saúde.

Estes pesquisadores foram contemplados com o fomento da Chamada Pública nº 12/2013 da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) no Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS) – que tem por objetivo apoiar atividades de pesquisa científica, tecnológica ou de inovação em áreas prioritárias para o fortalecimento do SUS em Goiás. E, a partir de agora, alguns desses projetos serão apresentados nesta série de reportagens, com o objetivo de mostrar um pouco do trabalho realizado pelo programa, por meio do financiamento do PPSUS.

Conforme explica a presidente da Fapeg, Maria Zaira Turchi,  o PPSUS é um programa com perspectiva de longo prazo, que tem uma enorme importância por mobilizar a comunidade científica, a Secretaria da Saúde, o Ministério da Saúde, o CNPq e a Fapeg no sentido de buscar, desde a preparação do edital, o direcionamento para a solução de problemas ou de questões do Sistema Único de Saúde, oferecendo alguma inovação ou possibilidade de protocolos melhores de atendimento à população. “É um programa que tem como objetivo trazer inovação e responder diretamente a questões do sistema de saúde. Esses projetos apresentam soluções que podem melhorar o atendimento e dar respostas mais efetivas no tratamento, na rapidez, nos diagnósticos, entre outras questões”, ressalta.

Como se trata de um programa regular, a presidente da Fapeg, Maria Zaira Turchi, aponta que o número de propostas cresce a cada edição. “No primeiro edital lançado deste programa, antes mesmo da minha gestão, as propostas submetidas inicialmente não foram suficientes para alcançar o recurso disponível. Já no último edital, lançado neste ano, fomos surpreendidos com um número muito alto de propostas, considerando que se trata de um recorte muito específico, para pesquisa aplicada, no qual tivemos 120 propostas presentadas”, analisa.  Ela considera que essa demanda mostra que a comunidade científica está reconhecendo a importância desse caminho e está fazendo um esforço de mobilização da capacidade de pesquisa altamente qualificada que esses vários grupos de pesquisa têm. “Isso é fundamental para o desenvolvimento da ciência e, sobretudo, é fundamental para dar respostas para desafios colocados na gestão pública pela sociedade. Há interesse, demanda e capacidade instalada para dar respostas a esses temas”, finaliza.

Os projetos
Coordenados por pesquisadores doutores vinculados a Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) sediados no Estado de Goiás – Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Estadual de Goiás (UEG), Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e Secretaria da Saúde do Estado de Goiás -, os projetos estão sendo desenvolvidos nas seguintes linhas temáticas: promoção à saúde; prevenção; diagnóstico; tratamento e controle de doenças; inovação tecnológica em saúde no SUS; atenção psicossocial; avaliação de tecnologias em saúde; educação em saúde; vigilância ambiental; atenção ambulatorial especializada e hospitalar; assistência farmacêutica; avaliação de sistemas, serviços e programas de saúde; e atenção primária.

Para esta chamada pública, foram destinados, por meio do edital, recursos para o financiamento de propostas no valor global de R$ 2,320 milhões conforme acordo firmado entre o CNPq e a Fapeg. Deste total, R$ 1,320 milhão é proveniente do Decit/SCTIE/Ministério da Saúde repassados ao CNPq e R$ 1 milhão da Fapeg, oriundo do Tesouro do Estado de Goiás. Os projetos de pesquisa receberam entre R$ 50 mil e R$ 100 mil, recursos estes destinados ao cumprimento de atividades diretamente vinculadas à pesquisa.

Sobre o PPSUS
A proposta do Programa Pesquisa para o SUS: gestão compartilhada em saúde (PPSUS) é uma estratégia aberta a pesquisadores que são convidados a apresentar projetos para apoiar e fortalecer o desenvolvimento de pesquisas que busquem soluções para as prioridades de saúde e promovam o fortalecimento da Política Nacional de Saúde. O programa é realizado por meio da parceria entre a Fapeg, o Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde (Decit/SCTIE), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Secretaria da Saúde do Estado de Goiás (SES-GO).

Por meio do conhecimento gerado pela pesquisa científica, essa parceria viabiliza e avança nesse processo de fazer ciência e permite, também, que os governantes tenham como planejar melhor políticas públicas voltadas à saúde. Segundo o Portal do Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) abrange desde o simples atendimento ambulatorial até o transplante de órgãos, garantindo acesso integral, universal e gratuito para os mais de 200 milhões de brasileiros.

O PPSUS tem 12 anos de existência e, em Goiás, esta chamada – a qual se referem os projetos publicados nesta série – foi a terceira edição. Todas elas foram realizadas com o objetivo de apoiar a execução de projetos de pesquisa que promovam a formação de recursos humanos qualificados e a melhoria da qualidade de atenção à saúde no contexto do SUS, representando significativa contribuição para o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação no Estado de Goiás.

Uma nova chamada pública, a quarta do PPSUS em Goiás (nº 04/2017),  foi aberta neste ano, no mês de setembro. Foram recebidas 120 propostas, que estão em julgamento, para uma nova etapa de pesquisas voltadas para o sistema de saúde.

Além de colaborar para o aprimoramento e consolidação do SUS, as pesquisas buscam contribuir para o estímulo ao ensino, pesquisa, extensão e educação em saúde; promover a integração com diversos órgãos; e, se incorporadas, vão contribuir para a superação das desigualdades no âmbito da saúde e melhorar os indicadores de saúde, promovendo impacto positivo nas condições de saúde e qualidade de vida da população. Os estudos foram apresentados, também, em seminários, congressos e diversos outros tipos de evento; fizeram parte de capítulos de livros e revistas; foram executados com participação de alunos que desenvolveram trabalhos de mestrado. Mais ainda, as pesquisas contribuem para aumentar a experiência e a produção científica dos pesquisadores locais, tornando-os mais competitivos em âmbito nacional.

Seminário de Avaliação
Nos dias 16 e 17 de novembro, os pesquisadores contemplados na Chamada nº 12/2013 vão apresentar os resultados finais de seus trabalhos à Fapeg e ao Ministério da Saúde, em um seminário que será realizado no prédio da Reitoria da PUC-GO, em Goiânia. Será um momento para destacar o trabalho realizado pela comunidade científica e demonstrar a importância da continuidade e aplicabilidade destas pesquisas no sentido de oferecer uma melhor qualidade de vida à população, numa interlocução universidade, sistema de saúde e sociedade.

No seminário de avaliação final, os coordenadores vão apresentar os resultados/produtos alcançados pela pesquisa e vão descrever seu potencial de utilização/incorporação no sistema e serviços de saúde, bem como sua capacidade de dar resposta aos problemas relacionados à organização dos serviços e à atenção prestada à população do Estado via SUS. A incorporação destas pesquisas no sistema público será analisada a partir de então pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria da Saúde.

Conheça algumas das pesquisas desenvolvidas:

TEste do Pezinho

Projeto estuda inclusão de dois novos exames no Teste do Pezinho.

 

Pesquisa busca traçar perfil de crianças traqueostomizadas.

 

Grupo da ufg

Pesquisa avalia atuação do Comitê Estadual de mobilização contra a Dengue.

 

Pesquisa foca na detecção de câncer cervical por método molecular.

 

Tratamento de úlceras venosas com alta taxa de sucesso em Goiás.

 

Pesquisa avalia osteoporose e riscos de fraturas em homens HIV positivos.

 

Prevenção odontológica para aumentar a sobrevida de pacientes com câncer de boca.

 

Pesquisa avalia atendimento nos serviços de atenção à saúde com ênfase no câncer do colo do útero.

 

Pesquisa colabora com grupos internacionais para o estudo do Transtorno do Espectro Autista.

 

Pesquisa apresenta filme educativo como intervenção para pacientes com Leucemia Mieloide Crônica.

 

projeto ppsus creche

Pesquisa avalia nível de crescimento e desenvolvimento de crianças em creches municipais.

 

Incidência e fatores de dores pós-cesariana são objetos de pesquisa.

 

Monitoramento para infecção por citomegalovírus reduz a zero o índice de mortalidade de transplantados no Araújo Jorge.

 

Violência na escola

Avaliação dos efeitos da linha de ação promoção da cultura de paz e prevenção das violências nas escolas.

 

Pesquisa analisa as novas institucionalidades para racionalizar a judicialização da saúde.

 

Pesquisa RAPs

Pesquisa-ação analisa o uso da tecnologia grupal na Rede de Atenção Psicossocial.

 

professora Cida

Pesquisa identifica fragilidade no sistema de notificação compulsória de doenças.

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