Frutos do Cerrado diversificam os sabores da Kombucha

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Esta ideia inovadora de produzir kombuchas (bebida fermentada a partir de chá) saborizadas com plantas do bioma Cerrado ganhou um grande impulso ao ser selecionada, em fevereiro de 2021, pelo Programa Centelha 1, que em Goiás é executado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg). O Programa tem como objetivo estimular a criação de empreendimentos inovadores e disseminar a cultura empreendedora na região. Hoje, já com empresa constituída, a startup Brizze, instalada na cidade de Anápolis, já definiu metas para 2023 e pretende expandir o mercado de Kombuchas e criar outros produtos da linha saudável.

A  startup Brizze é reconhecida por estimular hábitos saudáveis, a começar pela matéria-prima, que é fornecida por fazendas de produtos orgânicos regionais. Os ingredientes utilizados nas Kombuchas Brizze são 100% naturais, valorizam a biodiversidade regional e os produtores locais, ajudando a alavancar pequenos negócios. Para produzir mudanças positivas, a Brizze também apoia competições esportivas, corridas de rua e campeonatos locais de peteca.

A linha de pesquisa da startup visa descobrir espécies vegetais do cerrado que aliem as propriedades benéficas e nutrientes identificados à palatabilidade. Imagine uma bebida geladinha, sabor maracujá pérola, baunilha do cerrado ou cajuína para combinar com o calor. Poderia ser um refrigerante tradicional, mas é Kombucha, produzida a partir de chá fermentado, sem conservantes artificiais, com propriedades digestivas e antioxidantes, que ganhou novos e deliciosos sabores, após a introdução de ingredientes orgânicos do cerrado.

A inovação, com Passiflora setacea (maracujá pérola do cerrado), Amburana cearenses (amburana), Vanilla pompona (baunilha do cerrado), Brosimum gaudichaudii (mamacadela) e outras espécies regionais, foi introduzida por Ana Paula Montandon e Gustavo Siqueira, farmacêuticos industriais e empresários, em Anápolis, Goiás.

Testes realizados em um laboratório da Universidade Federal de Goiás (UFG), porém de forma independente, concluíram que a saborização de kombuchas com plantas do cerrado incrementou também o potencial antioxidante da bebida probiótica, rica em ácidos benéficos, como o acético e o cítrico.

As análises identificaram propriedades antioxidantes, com destaque para o maracujá pérola (gráfico). “As propriedades dessas espécies nativas brasileiras agregam sabores inéditos à Kombucha, com potencial para substituir o refrigerante convencional”, projeta Gustavo Siqueira.

Alimento como remédio

De acordo com Ana Paula Montandon, a Kombucha contribui com o funcionamento do intestino e do sistema digestivo como um todo, melhora a disposição física e a concentração. “Além disso, ajuda a combater os radicais livres, aquelas moléculas geradas pelos processos metabólicos que produzem envelhecimento interno e externo, e a prevenir o enfraquecimento do sistema imunológico”, acrescenta.

Pesquisas recentes apontam que o corpo humano possui 57% de microrganismos e apenas 43% de células.

Os microrganismos vivem principalmente no intestino e estão relacionados com uma boa saúde ou com doenças.

“Outros estudos demonstram que a dieta ocidental, rica em ultraprocessados e conservantes, está associada com várias doenças (Collen, Allana, 10% Humano, 2016) e que os alimentos fermentados, como as Kombuchas, ajudam a selecionar os microrganismos relacionados com uma microbiota saudável, do gênero Lactobacillus e Saccharomices“, afirma Gustavo Siqueira.

A frase de Hipócrates “que seu remédio seja seu alimento e que seu alimento seja seu remédio” faz muito sentido para Ana Paula e Gustavo, pois há uma linha de pesquisa que relaciona as modificações dos microrganismos da microbiota (microrganismos residentes no intestino humano) com alergias, obesidade diabetes, e doenças autoimunes. “Por isso, é tão importante consumir alimentos fermentados, ou seja, medicamentos ou alimentos ricos em microrganismos, avalia Ana Paula Montandon.

Produção

Ana Paula e Gustavo são os sócios-fundadores da startup Brizze, que fabrica as Kombuchas saborizadas com frutos do cerrado, além de outros sabores, como goiaba, jasmim, hibisco, frutas vermelhas e limão siciliano com gengibre.

Para isso, os pesquisadores se aprofundaram no mundo dos chás e blends, das cascas perfumadas de plantas brasileiras, das frutas escondidas na flora do cerrado, ecorregião que abrange 25% de área territorial brasileira e é responsável por 1/3 da biodiversidade do país, com mais de 11 mil espécies vegetais catalogadas (IBGE).

A fábrica fica em Anápolis, mas as kombuchas Brizze podem ser encontradas na área refrigerada de supermercados e lojas de produtos naturais, restaurantes de Goiás e de outros estados, como Minas Gerais, Rondônia, São Paulo, Rio de Janeiro, Roraima e Sergipe, em cerca de 400 pontos de vendas.

Reconhecimento

Fundado em 2018, o projeto que se tornou Brizze, recebeu o reconhecimento do Centelha 1. Outro reconhecimento foi por parte do Tecnova II, projeto promovido pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), com foco na inovação tecnológica e no suporte aos parceiros estaduais.

Em de junho 2022, foi certificada como empresa graduada pelo Inovacentro, a incubadora de empresas da Universidade Estadual de Goiás (UEG) e em outubro recebeu o prêmio “Mulheres Inovadoras III”, da Finep.

Centelha

O Programa Nacional de Apoio à Geração de Empreendimentos Inovadores (Centelha) é uma iniciativa que busca apoiar ideias inovadoras em fase inicial, quer seja em estágio de ideação ou prototipação, e transformá-las em empreendimentos de sucesso, oferecendo benefícios como subvenção econômica e capacitações. A partir da segunda edição, o Programa passou a oferecer também bolsas de apoio.

A iniciativa é do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), operada pela Fundação Certi e, em Goiás, é executada pela Fapeg.

Na primeira edição do Programa Centelha, 28 projetos receberam fomento e se transformaram em 28 novos CNPJs constituídos no Estado de Goiás. Já na segunda edição do programa, 50 novos projetos começam a receber o apoio.

Fonte: Assessoria de Imprensa da Brizze, com acréscimos da Assessoria de Comunicação da Fapeg

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