Campus Party: Painéis discutem tecnologia na agricultura e parcerias entre startups e setor público

CAMPUS PARTY 2020A Campus Party Digital Edition teve início nesta quinta-feira (9), 100% digital com a proposta de conectar 31 países, simultaneamente, para discutir o novo mundo que surge pós-pandemia. Como as tecnologias vão influenciar as futuras relações humanas e de trabalho. Neste novo contexto, a convocação Let’s Reboot the world, (Vamos Reiniciar o Mundo), tema do evento, vai propor às pessoas dos cinco continentes, o compartilhamento de conhecimentos na área de inovação, de novas tecnologias e apontar caminhos e tendências para o novo momento em nível mundial.

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) preparou uma programação especial para a Campus Party. Nesta quinta-feira (9), dois eventos aconteceram no Palco Goiás: às 14 horas, o painel Transformação Digital como impulsionadora da Agricultura Exponencial (Ceagre), com a participação do diretor de Produto e Inovação do Ceagre, Luiz Eduardo Bueno Borges; o professor do Instituto Federal Goiano, Tavvs Micael Alves; e o produtor rural, professor de pós-graduação da FGV e engenheiro-agrônomo, Ênio Fernandes; e às 16h30, a talk Oportunidades e Desafios na parceria entre startups e setor público com o advogado e professor, cofundador e diretor do Brazil LAB, Guilherme Diniz de Figueiredo Dominguez e o gerente de Inovação da Fapeg, Guilherme Resende.

Tecnologia na agricultura
Na agricultura, uma das mais antigas atividades da humanidade, a tecnologia também veio para ficar. As tecnologias exponenciais chegaram ao campo, e, integradas, começam a promover uma revolução. Goiás se prepara para ficar na liderança da agricultura neste século XXI. O tema foi discutido na primeira apresentação do dia: “Transformação Digital como impulsionadora da Agricultura Exponencial – Ceagre”. O Centro de Excelência em Agricultura Exponencial (Ceagre) vem sendo estruturado no Polo de Inovação do IF Goiano de Rio Verde com o apoio financeiro e diretivo do Governo Estadual, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapeg), sob a coordenação do Instituto Federal Goiano (IFGoiano) e com o apoio da prefeitura municipal e de empresas privadas. O Centro se traduz na união de Governos, ciência, empresas e produtores rurais.

O papel que o Ceagre terá nesse contexto de Big Data, algoritmos, drones, sensores, máquinas, IoT e Inteligência Artificial na agricultura foi discutido na talk. Apontando a tecnologia como um meio para agregar valor e resolver problemas no campo seja na agricultura, pecuária ou setor energético, o diretor de Produto e Inovação do Ceagre, Luiz Eduardo Borges pontuou que o principal desafio para a transformação digital será vencer a barreira cultural do produtor para a utilização da tecnologia. Ele afirma que o Ceagre vai auxiliar o produtor nesta jornada de transformação digital. Para ele, os produtores devem aproveitar e compartilhar os dados do Big Data e aprender a compartilhar e fazer bom uso dessas informações.

“Os algoritmos estão fazendo uma transformação inacreditável. Tudo é determinado por algoritmo e o produtor tem que acompanhar essa evolução, tem que se adaptar à nova cultura para não sair do mercado”, foi a análise feita pelo produtor rural e professor da FGV, Ênio Fernandes. Para ele, este é um momento de aprendizagem, “é o momento de adaptação para a disruptura que acontecerá em no máximo cinco anos. Multinacionais, agropecuaristas, setor sucroenergético têm que buscar essa tecnologia para atender o cliente que paga pelo produto final”, disse. “O produtor rural deve ter fome constante de conhecimento e aprendizagem. Este é o momento para sair da zona de conforto, de se adaptar e atualizar quanto à tecnologia no agronegócio para enfrentar a intensa competição”, argumentou. Para ele, quem tem vontade de aprender se destacará. “Os bons serão exemplo para a mudança”.

Para o professor Tavvs Alves, “este é um caminho sem volta”. Para ele, o produtor terá que desenvolver novas expertises, novos aprendizados, e o Ceagre será um elo para aperfeiçoar, atualizar e acompanhar os profissionais do ecossistema agropecuário. Ressaltou que Goiás tem recursos humanos, tem tecnologia e agradeceu o apoio e confiança do Governo de Goiás, que por meio da Fapeg, acreditou no projeto de criação do Ceagre. Serão investidos R$ 50 milhões dos setores públicos e privados, além de concessão de bolsas de pesquisas. O Centro vai entregar tecnologia e acompanhar a jornada dos que o procurar, disse o professor.

O Ceagre
O Ceagre será um espaço planejado para capacitação de recursos humanos, promoção de soluções inovadoras, atração de empresas e consequente geração de empregos, desenvolvimento do empreendedorismo e da tecnologia e difusão do conhecimento para o agronegócio. Oferecerá serviços tecnológicos altamente qualificados para o desenvolvimento da agricultura e pretende tornar-se referência internacional na promoção do desenvolvimento regional de empresas residentes. Serão contratados estudantes e pesquisadores especialistas em redes, sensores, automação. Projetos estratégicos serão executados em alinhamento com a política pública do estado de Goiás para o setor. O Ceagre tem o grande desafio de ajudar a difundir novas tecnologias para encontrar soluções precisas para os problemas do campo, produzir gastando menos, otimizar e preservar recursos naturais e reduzir riscos.

Startups e Setor Público
cAMPUS PARTY 2020O advogado e cofundador e diretor do Brazil LAB, Guilherme Diniz de Figueiredo Dominguez e o gerente de Inovação da Fapeg, Guilherme Resende abordaram, na segunda talk da Fapeg do dia sobre as “Oportunidades e Desafios na parceria entre startups e setor público”. Como a transformação digital no serviço público pode representar oportunidades de melhora nesses serviços e novos negócios desenvolvidos por startups; como as startups podem contribuir com soluções rápidas e inovadoras para os desafios do setor público e como conectar as pequenas empresas e os governos também fizeram parte das palestras.

Dominguez comentou que digitalizar o governo depende de um ambiente regulatório que ofereça segurança jurídica para o desenvolvimento contínuo do ecossistema e ressaltou que “estamos vivendo um ótimo momento, pois o marco regulatório de inovação apresenta facilidades e mecanismos que trouxeram a oportunidade para que os governos estimulem a inovação, seja por meio de parcerias, bônus tecnológico, encomenda tecnológica, recursos de subvenção, financiamentos, entre outros”.

Para ele, os entraves técnico e legal foram superados e condições legais para proteger os gestores que inovam foram garantidas no ambiente regulatório. O grande desafio agora, segundo ele, é capacitar e conscientizar o gestor público a aplicar a legislação para contratação de startups, para a contratação de inovações tecnológicas, para que ele faça uso das possibilidades inovadoras trazidas pelo Marco Legal para a ciência, tecnologia e inovação.

O gerente de inovação da Fapeg falou da missão da Fundação de apoiar o ecossistema de inovação no Estado aproximando startups e setor público. Comentou sobre editais como o Centelha e Tecnova, que têm como objetivo estimular a criação de negócios inovadores e fomentar a cultura empreendedora no Estado.

Assessoria de Comunicação da Fapeg

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